Obituary birthday
11, May, 2011“I am my own parasite
I don’t need a host to live
Look on the bright side, suicide”
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A Serbian Movie
8, May, 2011Eu gosto de ver cinema, mas depende muito do filme. Houve alturas em que não tinha um “filtro” dos filmes que via e por isso quando tinha oportunidade de ver um filme, via.
Isto tem uma lado positivo e outro negativo. Podemos não esperar nada do filme e encontrarmos uma obra de arte e podemos ir ver um filme que é um enorme sucesso e achar que o filme é péssimo.
Na altura aconteceu-me estar sozinho numa sala de cinema e adorar o filme, como à pouco tempo, tentar ver o Transformers 2 e não conseguir ver mais que os primeiros 10 minutos.
Devido a este facto, nos últimos anos vejo cada vez menos filmes e normalmente quando vejo um filme, tenho que ter uma percentagem elevada de esperança que vá gostar do filme.
No entanto há pouco tempo aconteceu algo engraçado. Comecei a ver muitos comentários de um certo filme chamado “A serbian movie”, por ser extremamente controverso e chocante.
Vi comentários de pessoas que ficaram verdadeiramente aterrorizadas com o filme.
Comecei também a perceber que a causa deste choque, não era por ser um filme de terror, mas sim por ser um filme choque que usava um certo tema para transmitir a sua mensagem.
Não resisti a ver o filme, para ver o que tanto aterrorizava as pessoas. Já agora, vi a versão “não censurada”, pois pelo que percebi, na maior parte dos mercados, foram retirados 4 minutos ao filme, por serem chocantes demais.
Mais um ponto. O cinema é uma arte e por isso o valor de um filme é subjectivo. Quanto mais controversa é a obra, mais extremas são as opiniões.
O “interessante” neste filme, é que ele é uma alegoria, tocando no tema de como se encontra a Sérvia, usando o sexo como base.
Este ponto é muito importante. É preciso ver este filme como uma alegoria, não ir ver por causa do sexo e com algum distanciamento.
Se falhar algum destes três pontos, o melhor é não verem o filme, porque é certo que não vão gostar do filme.
O ponto controverso é o uso do sexo para uma alegoria.
Se alguém for ver o filme porque pensa que é erótico ou pornográfico, vai ter uma enorme surpresa, porque apesar de envolver muitas cenas de sexo, para a maioria não tem qualquer componente de prazer.
Digo, para a maioria, porque vamos ser sinceros. O sexo não serve só para a procriação, serve também para o prazer, mas o prazer sexual de uma pessoa pode ser completamente diferente de outra.
Cada pessoa tem mais prazer com algumas variantes do sexo. Muitas pessoas não vão ter prazer nenhum com as cenas sexuais deste filme, mas pode haver uma percentagem que tenha.
Explicando melhor o filme, é usada a violência sexual e os contornos perversos que pode dar uma volta tão grande, que nos destrua a nós e aos parentes mais próximos.
É neste ponto que o filme é tão controverso. O uso da violência sexual. É discutível se é correcto usar tal tema para uma alegoria.
Vamos ver este aspecto por outro ângulo, se o realizador tivesse a ideia desta alegoria, mas usando violência física, será que o filme seria tão controverso?
Temos que admitir que não. Um filme com violência física, tudo é permitido, é comum e não choca a maior parte das pessoas.
É perfeitamente normal estar a ver um filme onde há dezenas de mortos, cheio de sangue e pormenores macabros e ao mesmo tempo estar estar a comer umas pipocas e estar num estado de indiferença.
Mal ou bem, Hollywood habitou-nos a que a violência física seja perfeitamente normal e comum.
Por isso, se este filme tivesse usado a violência física, seria apenas mais um e de certeza que teria uma audiência bem mais pequena.
Em relação da qualidade do filme em si. A nível técnico parece-me bem conseguido. Os principais actores desempenham bem o seu papel, a história é relativamente boa.
No entanto também tem falhas. Há pelo menos uma cena no filme em que há um exagero tal, que se torna ridículo, o que faz que se torne menos credível.
A cena é quando um homem mata outro homem com o seu pénis, espetando-o no olho.
Era escusado. Eu percebo que se usa o sexo como alegoria, mas esta cena é descabida.
Para concluir, não acho que seja “uma obra de arte” ou que seja excelente. No entanto não é, de longe, o pior filme que já vi. Daria-lhe um “bom”. Apenas isso. Cumpre com o objectivo, mas nada mais.
Agora, relativamente ao “choque”. Não sei bem porque razão, não o achei assim tão chocante.
Não sei se foi por partir para ver o filme com a ideia que iria tentar chocar ou se vi o filme com um demasiado distanciamento. Sinceramente não sei.
O que sei é que o filme acabou. Achei o final bem conseguido e apenas isso. Houve uma ou duas cenas mais pesadas, mas não me custou ver essas cenas.
Eu aqui faria uma comparação. O filme “A lista de Schindler”.
Faço esta comparação, porque se formos a qualquer site de avaliação de filmes, este costuma estar nos 10 primeiros.
Eu concordo, é um filme muito bom, mas fiquei muito mais chocado com “A lista de Schindler” do que com este “A Serbian movie”.
É que um é baseado em factos reais, factos esses que não aconteceram a 10 ou 100 pessoas, mas sim a milhões de pessoas, enquanto o outro é uma alegoria, apenas usa a violência para transmitir uma mensagem.
Para acabar. Não sou ingénuo. Sei perfeitamente que o realizador ao usar a violência sexual, sabia que ia gerar uma enorme controvérsia. Sabia que iria ser acusado de tudo, o que é verdade, pois há uma queixa que sustenta a teoria que é um filme pedófilo.
Sabia também, que com a controvérsia, iria ter uma audiência muito maior, pois as pessoas iriam ter curiosidade de ver o que torna este filme num acto tão infame.
Não é sequer original. Um bom exemplo é o clássico “Garganta funda”, que foi extremamente criticado por todos os sectores nos Estados Unidos, mas vejam as imagens da entrada nos cinemas daquela época. Há filas com centenas de metros à espera de comprar um bilhete. Nas filas estava todo o tipo de pessoas. Homens, mulheres, novos e velhos e o filme andou a bater recordes.
Isto é, o realizador estava plenamente consciente do que estava a criar e nesse ponto, teve pleno sucesso.
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Bin Laden
3, May, 2011Ontem o mundo todo soube que o Bin Laden foi morto. O terrorista mais procurado desde há 10 anos.
Pessoalmente houve várias coisas que reagi de forma diferente de muitas pessoas.
Houve festejos em todo o mundo. Eu compreendo que os familiares das vítimas e quem assistiu aos atentados (não só nos Estados Unidos) festeje. É um sentimento de alivio, de fim de ciclo, um peso grande que desaparece.
No entanto, pessoalmente, não consigo festejar a morte de uma pessoa, por terrível que ela seja.
É uma questão de personalidade e também de ser contra a pena de morte.
Para mim o ideal era captura-lo vivo, passar por um tribunal e caso se provasse a culpa (o que não seria difícil), passar o resto da vida em isolamento numa prisão.
Aqui há dois pontos:
- O que provoca mais sofrimento? Um tiro rápido na cabeça ou passar por um julgamento e ficar o resto da vida isolado do mundo? Na minha opinião é a segunda opção.
- Outro ponto e sendo ele um radical islâmico, que acredita em morrer por causa da causa que defendia. Penso que ele estava mais que pronto a morrer. As suas próprias convicções dizem isso. Por isso até lhe podem ter feito um favor.
Claro que desconheço por completo a operação. Eles estavam numa vivenda, protegida, num meio relativamente urbano.
Se os militares americanos poderiam desconfiar que eles tivessem explosivos (o que seria perfeitamente normal, pois em Espanha, quando tentaram capturar os terroristas islâmicos, eles explodiram com a casa, levando com sigo pelo menos um policia, se bem me recordo), eles não teriam outra hipótese que não a de entrar a matar.
No entanto a história não morre com a morte do Bin Laden.
- Primeiro, é muito estranho a localização onde ele se encontrava. A 100 metros de uma academia militar e numa zona restrita onde para entrar e sair é preciso apresentar identificação. Parece-me mais que provável que ele teve ajuda de dentro do Paquistão e dos próprios militares paquistaneses (pelo menos uma parte).
- A segunda questão é como ele vai ser visto no futuro. Será que desaparece das consciências? Um mártir? Um Che Guevara islâmico?
- Mais do que nunca, é preciso perceber esta personagem. Ele pertencia a uma das famílias mais ricas da Arábia Saudita. Nos anos 80, com os suporte dos Estados Unidos, fizeram com que a União Soviética retirasse do Afeganistão. Ele foi visto como um herói. No entanto ninguém fez grande caso que a motivação dele era impor a religião e um estado islâmico em todo o mundo.
Não é a primeira vez que acontece estas situações aos Estados Unidos, em que o inimigo do meu inimigo se torna meu amigo, mas quando o primeiro inimigo desaparece é que podem vir a perceber e a ter consciência do monstro que criaram.
O Bin Laden não apareceu do nada. É preciso tentar perceber o que se passou, para que no futuro não se cometam os mesmos erros.
- A quarta questão é, depois do Bin Laden morto, como é que os Estados Unidos vão sair do Afeganistão? O mais depressa possível?
É que uma coisa é a Al-qaeda, outra coisa são os Talibans. Os Talibans deram protecção à Al-qaeda e a Al-qaeda revia-se no modo de governação dos Talibans, no entanto são entidades bastante diferentes e se os Estados Unidos saírem à pressa do Afeganistão, há uma forte probabilidade dos Talibans recuperarem o controlo de todo o país, isto porque hoje em dia eles já controlam certas regiões.
- Quinta questão é que foi morto o símbolo mais emblemático da Al-qaeda, mas não o seu mentor religioso, pois esse tem o nome de Al Zawahiri, outra personagem que não é um “Zé ninguém”, mas sim um médico cirurgião.
- Ora este Al Zawahiri é Egipcio e fundou a “Irmandade Islâmica” no Egipto. Isto é bastante interessante, pois o Egipto sofreu uma revolução há pouco tempo e vão decorrer eleições.
Só que quem vota não são só as pessoas que fizeram a revolução e provavelmente queriam um estado mais aberto e democrático. Quem é que está à frente das sondagens nas eleições do Egipto? A “Irmandade Islâmica” criada por Al Zawahiri.
Aqui vejo três hipóteses.
Os militares têm bastante poder no Egipto e pode acontecer algo muito parecido ao que aconteceu na Argélia, em que se pôs fim a uma guerra civil, foram a votos e ganhou o partido radical islâmico. Os militares tomaram conta do país e anularam as eleições, voltando a um estado de ditadura.
Outra hipótese, se a “Irmandade Islâmica” estiver bem armada é uma guerra civil.
A última hipótese é ganharem as eleições e tornarem o Egipto num Estado radical islâmico.
- Por ultimo, é preciso não esquecer da Arábia Saudita, que passa por todos estes acontecimentos sem se notar muito, mas é neste país que têm origem grande parte dos terroristas, onde há um estado extremamente repressivo com uma policia de costumes e que ao mesmo tempo é um autentico protectorado dos Estados Unidos, devido à riqueza de petróleo.
E este protectorado não é passivo e não se encontra noutros países, tirando Taiwan.
A Arábia Saudita tem pleno acesso ao armamento militar americano e não só. A nível de aviões de guerra dispõe de F-15, Tornados e vão comprar Eurofighters.
A questão é, num país onde existe um enorme extremismo islâmico, quando o petróleo deixar de interessar aos Estados Unidos, como é que estes extremistas vão ver os Estados Unidos? Será outro caso do amigo que se torna inimigo?
A morte de um líder de uma organização perigosa é sempre um facto importante, mas não deve ser visto como o fim da história.
Se a situação for mal lidada, haverá consequências a médio e longo prazo.
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Os números e a felicidade
30, Apr, 2011Como todos sabem, vivemos actualmente uma grave crise. Ninguém vai disputar esta afirmação, mas no outro dia vi um estudo que nos dá que pensar.
O estudo era relativo à “felicidade” nos vários países do mundo e Portugal encontra-se ao nível de países com guerras civis, como por exemplo a Palestina.
É verdade que o povo português por natureza é algo pessimista.
É verdade que a falta de dinheiro pode trazer infelicidade.
Mas preocupa-me ver o grau de infelicidade que corre este país, pois desta maneira é mais complicado levantar a cabeça e dar a volta à situação.
Mas, eu tenho um percurso de vida algo estranho e já conheci pessoas do mais pobre que existe, em que têm apenas uma barraca, até às pessoas mais ricas deste país e há uma coisa que aprendi:
O dinheiro não trás felicidade. Aliás, muitas vezes é o contrário, pois pessoas com muito dinheiro, normalmente também têm grande responsabilidades e esquecem-se da família, o que gera divórcios, filhos que mal conhecem os pais, entre muitas outras coisas.
Uma pessoa pobre, pode ficar feliz com metade de um pão. Uma pessoa rica pode ficar feliz com um carro novo.
Mas há uma diferença. O pão para a pessoa pobre significa muito mais que o carro para a pessoa rica.
Isto é o que eu chamo de “felicidade instantânea”, que deriva do consumismo.
A pessoa rica fica contente por ter um “brinquedo” novo, durante um pequeno período de tempo, até quando compra outro “brinquedo” ainda mais novo, ou quando o “brinquedo” fica desactualizado, o que cada vez acontece em períodos de tempo menores.
A questão é que a felicidade não está relacionada directamente com o dinheiro.
Vinte anos depois, as pessoas não se vão lembrar da quinta versão do Ipod que compraram. Vão sim, recordar os bons momentos que passaram com pessoas que gostam e os pequenos pormenores simples da vida.
Seguindo um pouco este ponto, digo apenas mais uma coisa. Os números são números e nem sempre dão uma visão total das coisas.
Os números são importantes, mas é preciso compreender e analisar o que está por de trás dos números.
Eu coloco aqui uma publicidade antiga, mas excelente, do Jornal Folha de São Paulo, que num minuto explica que há uma grande diferença entre números e a realidade completa.
- Posted by nemesis11 in in Economia / Politica
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Pinto da Costa e Mourinho
27, Apr, 2011Reparei agora que o Real Madrid está a jogar com o Barcelona e no outro dia vi referencias às conferencias de imprensa dos dois treinadores, em que o Mourinho é igual a si próprio e o treinador do Barcelona respondeu na mesma letra, o que não é normal, pois o Guardiola costuma ser muito calmo.
Isto fez-me escrever sobre duas “personagens” chamadas Pinto da Costa e Mourinho.
Antes demais, dizer que sou do FCP porque o meu pai também era do FCP e não tenho qualquer vergonha em ser do FCP, apesar de ter nascido e passado a maior parte da minha vida em Lisboa.
Dizer também que não sou especialista em futebol. Olho mais para estas duas pessoas pelo lado da personalidade.
A nível de futebol, gosto muito quando o FCP ganha, mas quando não ganha, tem que se saber perder e dar valor ao vencedor.
Seja com o FCP ou não, gosto de ver futebol quando são bons espectáculos e se torna emotivo. Poucos desportos, além do futebol, podem levantar tantas emoções, quando bem jogado.
Em relação ao Mourinho, quando ele foi para o Porto, não tinha grande opinião sobre ele. Sabia que tinha feito uma boa época com o Leiria, mas também tinha sido despedido do Benfica.
Para mim era “mais um” que tinha muito para provar e que seria complicado.
Penso que ele só esteve dois anos no Porto, mas ele, na prática, venceu quase tudo. O Porto não vencia os adversários, atropelava-os.
A nível desportivo foi mais que excelente.
No entanto, o Mourinho para mim, além da surpresa, tornou-se um treinador enigmático. Isto porque as declarações, afirmações e tudo o que o rodeava era fora do normal.
A nível pessoal, não gostava muito dele. Ele tornava o jogo numa guerra.
Pensei e continua a pensar hoje em dia que quando ele um dia falha-se noutro clube, iria ser “massacrado”, pois pelo caminho ele ganha muitos inimigos.
Quando ele foi para o Chelsea pensei que iria ser muito complicado, porque é um clube que não tem a mesma “protecção” directiva que tinha no Porto.
Mas tornou-se ainda mais famoso e depois vai para o Inter, onde ganha tudo, sem ter de longe a melhor equipa do mundo.
Alguma coisa de muito diferente ele faz para conseguir o que quer.
Neste momento está no Real Madrid, onde penso que seja o desafio mais completo, pois é um clube enorme que só aceita vitórias, onde há muitas figuras históricas e que cada um tem uma opinião.
Não sei mesmo como lhe vão correr as coisas.
Mas olhando um pouco para o passado. Ele foi adjunto do Bobby Robson (um autentico senhor e que deixou saudades).
A nível de táctica, é possível que ele tenha aprendido muito com o Bobby Robson, mas o estilo de Bobby Robson era de uma pessoa pacifica e não foi com ele que o Mourinho foi buscar aquele tipo de discurso.
A meu ver só pode ter sido com outra pessoa. Pinto da Costa.
Pinto da Costa é o presidente do FCP, o meu clube do coração, mas nunca gostei do estilo dele. Ele reina a dividir e tem o dom da palavra, mas de uma forma em que ninguém faz ironia como ele.
Mas, apesar de não gostar da personalidade, como posso dizer mal dele, quando já ganhou tudo o que havia para ganhar e múltiplas vezes?
Não vejo grandes diferenças entre Mourinho e Pinto da Costa, pois ambos falam ao ataque. O Pinto da Costa joga mais com a ironia, enquanto o Mourinho faz jogos psicológicos.
Mas isto tudo para chegar a um ponto. Penso que os adversários dos dois não sabem como lidar com eles, até porque é muito complicado.
A meu ver, a melhor forma de lidar com eles é simplesmente não responder e ignorar por completo, o que num desporto tão emotivo é complicado de fazer.
O problema é que se os adversários responderem ou tentarem entrar no mesmo jogo de palavras, já perderam, pois é isso mesmo que os dois pretendem. Eles querem que o adversário responda e quando mais fortes forem as palavras, melhor.
O que penso que muitas vezes os adversários não percebem é que ao responder, estão a fazer exactamente o que eles pretendem, pois no jogo de palavras é complicado batê-los e eles usam as declarações dos adversários como um alvo numa guerra.
A meu ver, quando os adversários respondem, em vez de ignorar por completo, começam logo os jogos a perder.
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Para haver vencedores, tem que haver derrotados
26, Apr, 2011Ando há uns dois dia a tentar escrever um artigo sobre uma tema que vejo recorrente, que é, quem foi o melhor piloto do mundo.
O artigo ia ser sobre dois pilotos, da mesma geração, um que “que foi” e outro “que poderia ter sido”.
O artigo não iria dar uma resposta. Seria mais para colocar as pessoas a pensar quando fazem este tipo de afirmações.
Mas por enquanto não vai haver artigo. Não consigo escrever duas frases sem perder a concentração.
Mas este 25 de Abril, fiquei a conhecer mais um sentimento, a nível pessoal. Resignação.
Não vale a pena lutar, quando já estamos em KO.
De vez em quando oiço, “Não haveria pessoas magras se não houvesse gordos”. Verdade. “E só há vencedores quando há derrotados”.
Apenas temos que aceitar a derrota, quando ela acontece.
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O Produto e a Comunicação social
23, Apr, 2011Durante os meus primeiros anos de trabalho, tive uma ligação muito próxima com alguns Orgãos de Comunicação Social de um certo grupo.
Todos eles com uma óptima reputação e com grande antiguidade, menos um, que não tinha nenhuma das duas coisas.
Estava ligado à parte de Internet desses Orgãos de Comunicação Social e uma das coisas interessantes é que a tal “ovelha negra” dentro do grupo sempre se recusou a ter presença na Internet. Todos os outros tinham.
De todos os Orgãos de Comunicação Social desse grupo, lidei directamente e constantemente com um deles. 95% do trabalho estava relacionado com o Site, neste caso, uma rádio muito famosa e com excelente reputação.
Foi uma óptima experiência, porque a maioria das pessoas eram excelentes profissionais.
Simplificando as coisas, as pessoas mais antigas e por isso já com certa idade, participavam na rádio e os mais jovens estavam na parte de Internet.
Aqui é preciso referir duas coisas:
- Por vários motivos de lutas internas e, penso eu, por as pessoas ainda não compreenderem bem o poder da Internet, havia uma grande divisão entre os jornalistas da Rádio e os da Internet.
Apesar de estarem no mesmo piso, estavam separados fisicamente e havia muito pouco diálogo entre as duas partes.
Na verdade, o site poderia quase ter outro nome, que não o da rádio.
É uma pena quando não se percebe o potencial das coisas e a culpa esteve dos dois lados.
- Segundo ponto, fiquei chocado como os jornalistas, pelo menos os ligados à parte de Internet, recebiam mal.
Recebiam mesmo muito mal. Aliás toda a estrutura à volta do site, que não os jornalistas, ganhavam bem melhor que os jornalistas, que no fundo são o coração do site.
Pelo que percebi, existe muita oferta (jornalistas) e pouca procura (empresas a contratar jornalistas) e por isso tinham que aceitar o que era proposto. A maior parte já se dava por contente por renovarem o contrato e não serem despedidos.
Apesar do grande profissionalismo, para a moral de qualquer pessoa, não é bom.
Na maioria das vezes o jornalismo lá praticado era muito bom. Claro que havia falhas de vez em quando, mas nunca de propósito.
No entanto houve uma coisa que me chocou no início.
Além das notícias correntes, constantemente estavam-se a fazer “especiais” em que numa zona do site estava agregado diversa informação de um tema corrente ou importante.
Nestes especiais o trabalho não era feito apenas pelos jornalistas, porque dependendo dos temas, variava o layout dessa secção. Os jornalistas tinham que fazer o conteúdo, os webdesigners fazer o prototipo do layout e nós, os informáticos, aplicávamos o que era pretendido pelas duas outras áreas.
O layout dependia completamente do assunto e variava bastante. Desde conteúdos em flash, animações com javascript, etc.
Eu normalmente não fazia trabalho de programação e sim de administração de sistemas, mas também participava neste trabalho. Sempre era uma maneira de melhorar os conhecimentos em Asp, javascript e html.
Um dia um jornalista, dos mais antigos e com mais responsabilidades, pediu-me se poderia ajudar a criar um “especial” com o obituário de uma pessoa. Respondi que sim, não tinha qualquer problema. Fiquei apenas admirado quando ele me diz que não havia pressa. Era uma coisa para se ir fazendo.
Fiquei a pensar, se uma pessoa importante morreu, deveria ser algo urgente. Perguntei então de quem era e para minha surpresa era de uma pessoa de facto bastante conhecida, mas que não tinha falecido e apesar de não ser uma pessoa nova, nada me diria que iria falecer.
Achei aquilo muito mórbido. Preparar um “especial” com tudo pronto da morte de uma pessoa, com textos e imagens históricas e que tirando alterar a data da morte, tudo o resto estava pronto.
Não vou dizer o nome da pessoa em questão, mas quando essa pessoa faleceu, já eu não trabalhava lá.
E não foi caso único. Houve outros.
Claro que isto era tudo feito no site de desenvolvimento e não era visível para fora, mas de vez em quando pensava que se algum de nós, informáticos, cometesse um erro e colocasse aqueles “especiais” online, seria mesmo muito mau. Felizmente nunca aconteceu.
A parte interessante é que na minha ingenuidade pensei que fosse caso único, mas parece que o ter tudo preparado para a morte de uma pessoa acontece noutros Orgãos de Comunicação Social com grande reputação.
Um exemplo recente é o especial sobre a morte de Elisabeth Taylor no NY Times, em que é assinado por um jornalista…que morreu há 6 anos.
Este foi um pequeno exemplo de coisas que se passam neste mundo jornalístico que não acho propriamente normal, mas o pior é que a qualidade deste mundo e dou especial relevo à televisão, tem estado a cair a pique.
Uma das coisas que sempre me questionei é se é a Televisão que influencia a Sociedade ou o contrário, se é a Sociedade que influencia a Televisão.
Penso que deve acontecer as duas coisas, mas nos últimos anos acho que cada vez mais a Televisão mostra-nos o que pensa que queremos ver e não o que na realidade deveria ser mostrado. Penso que isto acontece talvez por haver mais concorrência neste mercado.
Há 3 exemplos que para mim me revoltam um bocado:
- Por exemplo os canais de cabo de notícias, das 3 televisões portuguesas.
No geral até acho que são dos melhores canais para se ver, mas o país está da maneira que está e todos os dias, tirando a quarta feira, existe pelo menos um programa sobre futebol.
Reparem, não são programas sobre desporto. São exclusivamente sobre futebol e normalmente são debates entre apoiantes “famosos” de cada um dos 3 clubes principais.
Não tenho qualquer duvida que isto só acontece porque devem ter grandes audiências, mas deveriam haver assim tantos programas sobre futebol?
Parece-me que o futebol se tornou o ópio do povo, pois enquanto se entretém a ver as notícias ligado a esse desporto, que normalmente mais parecem notícias tiradas de uma novela mexicana, esquecem-se se todos os outros problemas que os rodeia.
Por um lado, talvez isso seja bom para as pessoas. Melhoram o seu moral, mas não por muito que se queira esquecer, não é assim que desaparecem todos os problemas que os rodeiam.
Há ainda um ponto interessante, que é ver nesses programas e nas notícias em geral um enorme surpresa pela violência no futebol. Pudera, com programas diários de mais de uma hora, em que os adeptos passam mais tempo a falar do clube contrário que do seu, como querem que as posições das pessoas não fiquem extremadas? São eles próprios que colocam gasolina no fogo.
- Outro exemplo e que acontece mais nos Estados Unidos que em Portugal é quase obrigar as pessoas a participar nos canais noticiosos, para haver mais interacção e dar-se uma enorme relevância ao que se passa na Internet, por mais parvo que seja.
Um dos exemplos que vi há pouco tempo, foi a CNN Americana, que é bastante diferente, especialmente em qualidade, que a versão internacional.
Ora, o que eu vi que me pareceu completamente absurdo? Duas coisas, primeiro uma secção em que os telespectadores é que escolhiam a notícia que queriam ver. Então é assim, mostra-se 3 muito pequenas previews de notícias e depois pede-se ao telespectador que vote na qual quer ver.
A questão é que não são notícias quaisquer. As 3 notícias são importantes.
Isto é, passa-se a responsabilidade de informar para o telespectador. E quais vão ser as pessoas decidir? Provavelmente aquela que pareça mais macabra…
Podíamos pensar que isto acontecia por falta de tempo, mas não. Parte do tempo é gasto a mostrar vídeos do Youtube, especialmente os mais vistos, que como é sabido, normalmente são os mais parvos.
Vi por exemplo uma notícia de vários minutos, em que mostravam um video do Youtube, de um gato a “vestir” uma máscara de um coelho, com comentários em background do jornalista de como aquilo era tão “engraçado”. Isto em si já é ridículo passar num canal noticioso, mas tornou-se ainda mais, quando eles gastam ainda mais tempo a mostrar como aquilo tinha sido feito. Afinal, o gato não vestiu a mascara do coelho. Quem filmou aquilo, colocou a mascara no gato e depois o gato com as patas tira a mascara. Claro que invertermos a gravação, parece que é o gato a vestir a mascara. Muito interessante de facto…
- O último exemplo é os reality shows, umas vezes mais camuflados que outras.
Existe de tudo um pouco, mas o nível de estupidez anda entre o médio e o enorme.
A televisão encontrou uma maneira de alimentar o voyerismo das pessoas. É como uma droga. Depois de se ver a primeira vez, quer-se ver o que vai acontecer a seguir com as pessoas e é assim que estes programas têm níveis de audiência enorme.
E as pessoas não vêm tais programas para verem uma vida normal de outra pessoa. Não, tenta-se forçar por todos os modos situações complicadas, porque o que as pessoas querem ver é violência, sexo, desgostos e falhanços. Acredito que para muitas pessoas seja como uma masturbação mental.
Como é óbvio, quando se junta um grupo de pessoas, no mesmo espaço, que não se conhecem e passam grande tempo juntas, vão suceder problemas. Se ainda se forçam as situações, mais problemas acontecem.
Não percebo é qual é o prazer de ver algo que é evidente. Eu namoro há 12 anos, passo parte do tempo com a minha namorada e, apesar de ser raro, temos as nossas pequenas desavenças. Se nos colocassem no mesmo espaço, durante 6 meses, a forçar situações, claro que, mesmo quando se está com a pessoa que se gosta mais no mundo, vão acontecer coisas boas e outras más. Não percebo é que prazer as pessoas tiram de tais coisas que são perfeitamente normais.
Estes exemplos para dizer que cada vez mais a televisão nos mostra o que queremos ver e não a realidade.
Há poucos dias o Der Spiegel teve acesso a 5000 fotografias de vários soldados americanos no Afeganistão que matavam por prazer. Isto é, matavam quem lhes apetecesse e quando lhes apetecesse e depois guardavam partes do corpo e fotos como relíquias ou troféus de guerra.
Das 5000 fotos, o Der Spiegel só publicou 3, bastante chocantes, mas não publicou mais porque seriam demasiado chocantes.
Dizer só uma coisa, não escolhi isto para atacar o povo americano. Situações destas acontecem em todos os países que se envolvem numa guerra, especialmente quando é duradoura.
No entanto esta notícia passou completamente ao lado de quase todos os Orgãos de Comunicação Social.
E temos que ter em conta que hoje em dia a informação de guerra é muito mais controlada que no passado, pois uma das consequências da guerra do Vietname é que se pode ser dominador no terreno e perder a guerra por causa da opinião pública. Por isso há de certeza muitas outras histórias que nunca serão do conhecimento público.
Com o aparecimento da Internet, há a esperança que as pessoas decidam por livre vontade escolher quem acham melhor e há muita informação de excelente qualidade na Internet. O problema é que sabemos que o que se torna popular a maior parte das vezes não é sinónimo de ser bom. Na verdade, normalmente é bastante mau, parvo e ridículo.
E a grande questão é:
Se a realidade não for mostrada nem conhecida, é de facto uma realidade?
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O Computador e o Cérebro
20, Apr, 2011No meu blog quero colocar textos sobre computadores, no entanto este texto, apesar do título está mais relacionado com assuntos pessoais e ficção cientifica do que com computadores.
O meu gosto por computadores é interessante. Tem um lado pessoal, mas também tem um lado que foi influenciado pela escola e colegas que tive.
O interesse pessoal veio de várias formas. Os jogos de computador e a sua rápida evolução, especialmente com a passagem do 2D para o 3D, assistir programas como o “Beyond 2000” ou ver uma das minhas paixões, a Formula 1, que em poucos anos e até 1993 era um espaço de desenvolvimento tecnológico.
Os jogos de computador foi talvez o que primeiro me despertou interesse, com o Spectrum, em que se é verdade que se passava mais tempo a jogar, também é verdade que foi aí que aprendi alguma coisa de “Basic”, o que nos dava uma pequena ideia de como “falar” com o computador.
O programa “Beyond 2000” era extremamente interessante. Não me lembro se o via num dos canais portugueses, ou se em canais estrangeiros, em casa de um primo que tinha parabólica.
Penso que terá sido mais este último caso. Era um programa extremamente interessante, quando na altura não havia muitos meios de comunicação. Durante o programa, mostravam o que mais evoluído havia a nível de pesquisa científica e que se podiam tornar produtos comuns, um dia no futuro.
A nível de Formula 1, apanhei uma altura, entre o fim da década de 80 e até 1993, em que se dá um enorme desenvolvimento tecnológico, sem quaisquer limites. Desde suspensões activas, mudanças automáticas, etc.
Tudo isto para ajudar a condução, evitar que o piloto cometesse erros e tornar os carros mais rápidos.
Se em 1994 não começassem a banir ajudas à condução, não seria difícil de prever que um dia o Formula 1 conseguiria andar sem piloto e não só sem piloto, como também mais rápido que com piloto.
A influência das Escola e de colegas foi interessante.
Vivi a maior parte dos meus anos numa zona de classe média baixa, onde ao lado das casas, havia um enorme espaço com pessoas a viver em barracas.
A minha casa era bastante pequena e os meus amigos que viviam em casas, também viviam em casas relativamente pequenas e pobres.
Os que viviam em barracas, não há muito a dizer. Viviam claramente pior que quem vivia numa casa.
Dos meus colegas, ninguém tinha computador. Penso que fui a primeira pessoa a ter, naquela zona e com o passar do tempo, mesmo quem foi comprando um computador, eu felizmente conseguia ter o que tinha melhor especificações.
Mas entre a altura que tive um Spectrum e um PC, passaram-se muitos anos e pelo meio aconteceu algo interessante.
Entre a 6º ano e o 7º ano, morreu o meu Pai, a única Avó que conheci e ganhei uma bolsa de estudo para uma das melhores escolas do país.
Como é óbvio, esta escola era privada e sem ser alguns bolseiros como eu, não andava lá quem queria, andava lá quem podia ($$$). Muitas figuras públicas passaram por essa mesma escola.
Este período de tempo, dá um texto à parte, mas para resumir, foi um choque social, em que de repente me vejo ao lado de pessoas muito ricas e/ou conhecidas.
Nessa altura não tinha uma PC, mas todos os meus colegas tinham um e nesse ponto, foi quase tudo espantoso.
Lembro-me por exemplo, de um colega meu que tinha um PC, com CD-Rom, algo incrível para aqueles tempos. O leitor de CD-Rom era completamente diferente do que estamos habituados. Era uma caixa, tipo gaveta, que se abria à mão. Na altura não havia a questão sobre a quantas velocidades era lido o CD-Rom, porque só havia uma velocidade.
Esse mesmo colega, tinha um sistema de Tapes, em que cada Tape podia guardar 1GB de informação e ele tinha várias Tapes.
1 GB na altura era completamente do outro mundo, pois ter um disco de 100 MB já era uma sorte.
A parte má desta situação é que todos os meus colegas apresentavam os trabalhos a computador e eu a papel e caneta. Para além de ser mais trabalhoso, os professores já na altura não viam com bons olhos trabalhos apresentados que não fossem em computador e sei que perdia uma percentagem na nota final devido a esse facto.
No entanto, na mesma altura, essa Escola decide fazer uma coisa algo radical. A partir do 7º, tinham-se aulas obrigatórias de informática e não eram aulas em que se ensinasse como escrever um documento, mas sim como funcionava um computador e como programar. Desde linguagem binária, a programar em basic, pascal e C, passei por isso tudo quando era bastante jovem.
Verdade seja dita, o professor que apanhei era excelente. Era um geek, mas não um geek “normal”. Dava as aulas de forma completamente diferente dos outros professores e tinha um sentido de humor enorme e corrosivo.
A partir daí houve várias coisas que fizeram com que gostasse cada vez mais de computadores. O meu primeiro PC, colocarem na biblioteca da Escola vários computadores com acesso à Internet, entre muitas outras coisas.
Durante este tempo todo, há várias coisas que fui percebendo e que penso muitas pessoas percebem.
Uma das principais coisas, é que o computador e o PC, como muitas outras tecnologias do século passado, foram influenciados pela ficção científica.
Outro ponto é que nos primeiros anos do computador, as pessoas não tinham a exacta percepção de como ia evoluir. Um dos Presidentes da IBM afirmou que nunca ninguém precisaria de um PC ao mesmo tempo que outras pessoas afirmavam que em 3 a 5 anos, o computador teria o mesmo poder que um cérebro humano.
Hoje sabemos que nenhuma destas afirmações é verdadeira.
O meu texto de hoje, está relacionado com esta última parte. O poder de um computador e de um cérebro e a ficção científica.
Primeiro que tudo, vejo os escritores de ficção cientifica como os sonhadores e os cientistas como os que colocam em prática os sonhos.
Claro, que nem tudo o que passa pela ficção cientifica se torna realidade (onde é que está o meu carro voador?) e nem todos os cientistas vão buscar as ideias à ficção cientifica, mas há uma ligação.
Eu nem sou escritor de ficção cientifica, nem cientista, mas tenho os meus sonhos.
Um dos meus sonhos é a integração do computador com o cérebro humano.
Acho que muitas pessoas já perceberam, que há situações em que o computador é muito mais poderoso que o cérebro humano, mas em muitas outras coisas, até as mais simples, o cérebro humano é muito melhor que um computador.
O primeiro pensamento é que os dois se complementam.
A parte que acho interessante e um pouco “sonhadora” é que não estou muito interessado que se consiga tornar um computador a “pensar” como um cérebro humano, até porque acho isso bastante complicado, porque ainda hoje não percebemos bem como o nosso cérebro funciona.
Muitas vezes tenta-se fazer uma comparação entre o poder computacional de um computador e um cérebro, mas penso que isso é um exercício um pouco fútil. São duas coisas diferentes.
Mas é aqui que entra o meu sonho, por pensar que são duas coisas diferentes, mas que se complementam.
O que gostava de ver era uma união física entre as duas coisas.
E quando falo de união física, é mesmo colocar um computador dentro do cérebro, em que os dois falassem entre si. Uma espécie de processador e co-processador num computador actual.
Esta união passaria por três partes:
1 - Passagem de todo a informação e conhecimento mundial da base de dados armazenada no computador, para o cérebro humano.
2 - O Ser humano ter capacidade de controlo sobre as duas unidades e automaticamente escolher a melhor dependendo da situação.
3 - Interligar as pessoas, com o seu cérebro e computador, em rede, sendo que a pessoa teria sempre o poder de decidir o que partilhar. Uma espécie de Internet humana, em que a comunicação é instantânea e para um grande número de pessoas ao mesmo tempo.
Começando pelo primeiro ponto.
Vamos partir do principio que o tempo para educar uma pessoa, isto é, andar na Escola, é em média de 12 anos.
Primeiro que tudo, ao longo dos séculos, com o ganhar de conhecimentos, o que foi sendo ensinado durante esses 12 anos, foi completamente mudado.
Outro ponto, mesmo ao fim de 12 anos, além de nos irmos esquecendo do que aprendemos no inicio, ficamos apenas com uma pequena percentagem do conhecimento humano.
Outro ponto, existem casos raros, de génios, que não se sabe explicar a razão, mas desde crianças absorvem e desenvolvem certos conhecimentos de uma forma extremamente rápida.
Por último, hoje em dia vejo pessoas da minha idade ou mais velhas a dizerem com orgulho “No meu tempo tinha que saber a tabuada de cor”. Ora muito bem, sempre que oiço esta frase, digo “Óptimo, agora atira o aspirador pela janela fora e começa a limpar a casa sempre com uma vassoura”.
Onde quero chegar é que a Escola é uma perca de tempo a nível de conhecimentos. Cada vez que se ensina uma criança que “1+1=2”, está-se a reinventar a roda.
O que gostava de ver seria a junção de um computador com uma base de dados do conhecimento humano a um cérebro e colocando os dois a falar, o computador transmitiria todo esse conhecimento ao cérebro.
Claro que nem todo o conhecimento é “verdadeiro”, mas é aí que entra o cérebro humano, o de decidir, com os factos conhecidos até essa altura a percentagem de veracidade.
Onde eu quero chegar é que a aprendizagem do conhecimento humano seria muito rápido entre um computador e o cérebro e que a partir dessa altura, o Ser humano teria apenas que melhorar, provar ou desmentir conhecimento passado e desenvolver novos conhecimentos.
Segundo ponto, como afirmei, não vejo o computador e o cérebro como duas coisas comparáveis, mas sim como duas coisas complementares.
O Ser humano ao ter à sua disposição um cérebro e um computador, interligados, usaria a melhor ferramenta dependendo da situação.
Por exemplo, numa situação em que é preciso um cálculo matemático que o cérebro demoraria dias a processar, o Ser humano escolheria o computador para fazer esse cálculo em poucos segundos.
No entanto, numa situação em que é preciso tomar uma decisão em que estão envolvidas emoções, seria o cérebro a decidir.
Mas, não quero que se fique com a ideia que seriam duas unidades independentes. O cérebro e o computador estariam sempre interligados e passariam informação entre si.
Terceiro ponto. O pensamento humano, com o cérebro e o computador, não estariam isolados.
Sempre que necessário e que a pessoa decidisse por livre vontade, poderia partilhar algo com certas pessoas ou com todas as pessoas, instantaneamente.
Seria uma espécie de Internet/Intranet humana.
O que gostava de ver seria algo que existe hoje com as redes P2P, em que a informação é trocada entre os clientes, sem haver um ponto central. Isto é, o pensamento partilhado teria como alvo certas ou todas as pessoas e seria passado directamente entre uma pessoa e a(s) outra(s) e assim sucessivamente.
Aqui fica o meu sonho. Um mundo onde o conhecimento total seria universal, a junção do poder do cérebro com o computador e uma rede de conhecimento humana.
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Eu não personalizo problemas…
16, Apr, 2011…mas como em Portugal pratica-se o contrário do que se diz, achei-me no direito de fazer exactamente uma coisa que vai contra o que digo.
Antes disso, vou só fazer um pequeno resumo sobre o que penso sobre a crise em Portugal.
A crise não tem um culpado, nem dois, mas sim 10 milhões (somos mesmo 10 milhões? É que não preenchi o Census deste ano.).
Uns têm mais culpa que outros, porque estavam em cargos de responsabilidade, mas a culpa é de todos, inclusive minha.
Aqui estou a dizer outra coisa que não gosto, porque penso que é errado. Generalizar. Mas já que comecei por dizer que iria praticar uma coisa que vai contra a minha linha de pensamento, aproveitei e disse mais uma.
Pior que um mau político, é alguém que aproveita uma linha de pensamento com largos apoiantes, defende essas ideias, dá esperança a esse conjunto de pessoas e depois faz exactamente ao contrário.
Na minha opinião, o Obama enquadra-se um pouco aqui, porque deu esperança e aquele país precisava de alguém que lhes desse esperança.
Mas como expliquei noutro artigo, acho uma pessoa indecisa, para não “ofender” nenhum dos lados. Isto é, é preferível não dizer nada, porque assim não chateio nenhum dos lados com opiniões contrárias.
Além disso, o sistema politico americano é tão complicado e cheio de lobbies, que simplesmente não pode cumprir algumas das promessas por estar dependente de outros Orgãos de poder.
Em Portugal, há tantos casos de suspeita de má gestão em todo o lado e especialmente nos políticos, talvez por terem uma maior visibilidade, que chegou a um ponto que parte das pessoas quando votam, não votam a favor de uma pessoa, mas sim contra o que considera o “sistema”.
Isto é, muitas pessoas começaram a detestar os políticos.
Não estou propriamente contra este pensamento em que se olha para os políticos e vê-se um vazio. Mas vou mais longe. Neste artigo explico e dou razões para pensar que a democracia falhou em certos países e dou alguns exemplos e um deles é Portugal, infelizmente.
Onde quero chegar? Nas últimas eleições presidenciais, aconteceu algo interessante, apesar de não ser original.
Aparece um candidato, Fernando Nobre, que é médico, presidente da AMI que não quer apoios de partidos e com uma palavra chave de uma candidatura pela “Cidadania”.
Tenho que admitir, fiquei realmente impressionado. Uma pessoa “fora do sistema” dá a cara , provavelmente por ter ideias próprias e não seguir as linhas de pensamento rígidas dos partidos. Além disso é um médico presidente da AMI e aqui tenho que ser justo, a AMI é uma instituição que pratica acções meritórias onde é mais preciso. O presidente de tal instituição tem que ser uma pessoa boa e respeitável.
Como disse anteriormente, há uma enorme desilusão com os partidos e as pessoas aderiram à sua candidatura. Acho perfeitamente normal.
Eu abomino redes sociais, mas isto fica para outro artigo, mas foi criada uma página no Facebook e tenho que admitir, o Facebook é uma óptima ferramenta para passar a mensagem e criar um movimento. Isto está mais que provado.
Antes de continuar, tenho que dizer algo, apesar de ficar bastante impressionado, não acredito na democracia que existe em Portugal e por isso penso que não voto há mais de 10 anos, apesar da escola onde se vota ser ao lado de minha casa. O meu cepticismo é tal, que mesmo ficando impressionado, nunca pensei em ir votar nele.
Se já não tinha intenções em ir votar, depois de o ouvir nos debates, pensei que era um comboio em descarrilamento.
Estava à espera de um debate de ideias, com elevação e vejo exactamente o contrário.
Há duas ideias principais no seu discurso. Primeiro, é completamente contra os actuais partidos e que se excluía desses mesmos partidos e depois um pensamento completamente populista que se resume a “Eu vi enormes desgraças e por isso sou a pessoa mais indicada para o cargo de Presidente da Republica”. Ora, isto não foi dito exactamente assim, foi dito de formas muito mais populistas e chocantes.
Na altura não tinha a certeza, mas a primeira ideia de ser contra os partidos era apenas para apanhar a “onda” das pessoas desiludidas com os partidos.
A segunda ideia é bizarra, pois uma coisa não implica a outra. É como alguém me dizer “O Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do mundo, quando acabar a carreira, daria o melhor repórter de guerra de sempre”. Ficaria seriamente preocupado com a sanidade mental dessa pessoa.
Atenção, como Presidente da AMI, eu acredito mesmo que ele viu as piores desgraças neste mundo e que ajudou muitas pessoas que mais necessitavam, mas só isto não faz com que ele seja a melhor pessoa para ser Presidente da Republica.
Fiquei algo surpreendido com aquele tipo de discurso, porque uma pessoa como o Fernando Nobre tinha que ser muito mais inteligente, para tal linha de ideias e para baixar tanto o nível do debate.
Ao longo do resto da campanha, houve mais algumas frases ditas por ele que me pôs seriamente de pé atrás em relação àquela candidatura.
Nesta altura fui ler um pouco sobre Fernando Nobre e reparo no seguinte. Foi membro da comissão politica da candidatura de Mário Soares em 2006, pelo PS. Em 2009 é mandatário nacional do Bloco de Esquerda nas eleições Europeias. No mesmo ano pertence à comissão de honra de António Capucho à Câmara Municipal de Cascais, pelo PSD.
Esperem um pouco…Esta é a mesma pessoa que tem um discurso anti-partidos?
Seja como for, o movimento das pessoas a apoiar o Fernando Nobre estava em andamento e tem um excelente resultado de 14% nas eleições.
A nível pessoal, a minha namorada votou nele, exactamente pela ideia de ser um pessoa de fora dos partidos. Eu não fui votar.
Apesar de termos uma relação totalmente aberta, ela tem as suas ideias e eu tenho as minhas e nunca tentei impor a minha opinião.
Nos últimos dias é que o descarrilamento do comboio foi total.
Fernando Nobre dá algumas entrevistas e tem frases como “excluí a minha participação política, nem como independente, no âmbito dos partidos existentes, nem em actuais ou futuros governos partidários” e “Não, categoricamente não”.
Poucos dias depois, Passos Coelho, líder do PSD, convida Fernando Nobre para cabeça de lista por Lisboa, nas próximas eleições e Fernando Nobre aceita, mas com uma condição. Só se for eleito para Presidente da Assembleia da Republica. Se não for eleito, renuncia imediatamente ao posto parlamentar.
Antes de tudo, Passos Coelho comete um enorme erro ao aceitar esta condição, mas os 14% nas eleições devem ter sido mais forte.
Vamos ver várias coisas.
Primeiro Fernando Nobre dá uma volta de 180º em poucos dias.
Segundo, será que os dois sabem o que é uma eleição para o Parlamento, especialmente quando se é cabeça de lista? Nestas eleições, as pessoas desta região escolhem os seus representantes para o Parlamento, tendo como base as ideias dos partidos e dos candidatos, especialmente o cabeça de lista.
Não há um voto directo para Presidente da Assembleia da Republica. Um cabeça de lista que diz que renuncia se não atingir tal objectivo, para mim é extremamente grave.
Aqui entra a parte da desilusão, que falei no inicio. Como é óbvio, muitas das pessoas que foram apoiantes dele ficam revoltadas e a forma como se expressaram foi na sua página do Facebook.
O que se faz? Fecha-se a página do Facebook, com a justificação que foi devido aos insultos.
É interessante como quando é para ler elogios, adora-se o Facebook, quando são críticas, fecha-se a página.
Uma pessoa num lugar de grande responsabilidade e visibilidade tem que ter capacidade de ouvir de tudo.
Agradecer os elogios, ouvir as criticas construtivas, pensando se têm razão ou não e contrapondo se achar que não têm razão e simplesmente ignorar os insultos, porque não se deve baixar ao nível de quem insulta. Os insultos ficam com a pessoa que os disse.
Mas a história não acaba aqui. Hoje dá uma entrevista ao Expresso e afirma algo que mal poderia acreditar.
“Eu não li o programa do PSD, mas confio a 100% em Passos Coelho”.
Neste ponto começo a questionar a sanidade mental de Fernando Nobre. Aceita ser candidato pelo PSD, cabeça de lista, por Lisboa e nem sequer leu o programa do partido pelo qual concorre? Isto parece um filme de terror de 3º grau.
Bem, vou colocar aqui uma hipótese. Apesar de todas as incongruências, Fernando Nobre é inteligente e com esta candidatura, pretende mudar o sistema por dentro.
Acredito em tal coisa? Não.
Não me parece que o cargo de Presidente da Assembleia da Republica, que é um cargo mais representativo e de organização, seja o cargo para tentar mudar o sistema por dentro.
A nível pessoal, para mim, apesar de ser uma história que nunca seria colocado num filme, porque seria demasiado irreal, não me afecta.
A minha namorada está extremamente desiludida. Porque mesmo quando aparece alguém que, supostamente, está fora do sistema e, aparentemente, tem ideias próprias, torna-se uma enorme fraude.
Duas outras pequenas notas:
- Hoje vejo a notícia que Basílio Horta é o cabeça de lista do PS por Leiria. Esperem…o mesmo Basílio Horta fundador do CDS? Isto é importante, pois ser fundador de um partido não é um simples apoiante.
Ok, o CDS foi mudando ao longo dos tempos, mas continua a ser o partido mais à direita. O Basílio Horta, com o tempo, pode ter mudado completamente de ideias politicas. Acredito em tal ideia? Não.
- Hoje vejo também Marinho Pinto a pedir uma “greve” às eleições, para dar um sinal aos políticos.
Podia ser uma boa ideia, mas tem dois problemas. Primeiro, por muito maior que seja a greve, não se muda de um dia para o outro todos os políticos em Portugal. Segundo, ao fazer-se greve, deve-se propor uma alternativa ao falhanço democrático em Portugal e nem Marinho Pinto, nem eu temos uma alternativa melhor.
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Estado, concorrência e concursos públicos
15, Apr, 2011Este artigo é de uma pessoa interessada em economia, que ao olhar para certas coisas que se passam em Portugal, não compreende como foram possíveis certos negócios e propor ideias de como as coisas deveriam ter sido feitas.
Vou tocar em alguns casos particulares. Apenas aqueles que envolvem empresas com grande dimensão e que são os casos mais evidentes.
Espero que, no texto, não cometa erros factuais, apesar de ser apenas um observador.
Primeiro caso. Portugal Telecom ou TLP, como lhe queiram chamar.
Espero não cometer nenhum erro a nível temporal.
Penso que o estado viu sempre esta empresa como uma empresa importante para o funcionamento do país. Esta empresa era detida na sua totalidade pelo Estado.
O que acontece, o Estado decide privatizar a Portugal Telecom. Até aqui nada de errado. Várias empresas importantes são accionistas na Portugal Telecom. Ao longo do tempo entram umas, saem outras. Nada de anormal. A questão é que pelo que sei, neste momento o Estado tem uma participação minoritária e bastante pequena na Portugal Telecom, mas e tinha que haver um mas, tem uma “Golden Share”. Isto é, apesar de uma posição minoritária, tem poder de veto.
A primeira questão é se é legal o Estado ter uma “Golden Share”. Lembro-me que esta questão estava nos tribunais Europeus, mas não me lembro se chegou a haver uma decisão. Penso que não.
Segunda questão, de tudo o que tenho visto, o actual Presidente da PT parece-me uma pessoa e um Gestor com a cabeça no sitio. Penso mesmo que é a pessoa certa no lugar certo. Alias, conheço em parte a subida dele dentro da PT e de tudo o que ouvi, ele mereceu chegar às posições onde chegou.
Só tenho uma questão, como é que se pode ser independente e tomar as melhores decisões para a empresa, quando o Estado tem uma “Golden Share”. O que acontece quando o presidente da PT tem uma posição oposta ao accionista Estado?
Não sei se ele sofre pressões ou não ou se é mais ou menos influenciado pelo accionista Estado. A minha opinião é que neste ponto, não deve ser agradável estar na posição de Presidente da PT e é possível que tenha que fazer um jogo de equilibrismo para não cair.
Não sei em que altura foi, mas o mercado das telecomunicações foi liberalizado. Isto é, puderam-se criar empresas que concorressem directamente com a Portugal Telecom.
Outra questão. Penso que derivado às diversas crises que o país atravessou, o Estado decide vender a rede de cobre. A quem é que vende a rede de cobre? Portugal Telecom, a mesma empresa onde tem uma “Golden Share”.
Neste ponto há várias questões. Pelo que sei, pela lei, a Portugal Telecom não se pode negar a alugar a rede de cobre a outros concorrentes. Os outros concorrentes podem criar redes próprias, o que penso que foi feito por certas empresas e por fim, há a questão se a rede de cobre é assim tão importante, quando é preciso moderniza-la e/ou implementar redes de fibra?
Começando pelo último ponto, penso que na altura em que a rede de cobre foi vendida e mesmo nos dias de hoje, a rede de cobre continua a ser muito importante. É verdade que a PT tem que manter e melhorar a rede, mas quando é um dos concorrentes que tem a infraestrutura e “aluga” aos seus concorrentes, até que ponto pode ser considerado um mercado aberto?
É verdade que as outras empresas podem montar a sua infraestrutura, mas o investimento para tal acontecer e começar do zero, parece-me ser muito elevado. Pelo que sei, há empresas concorrentes que têm infraestrutura própria, mas só em alguns locais e não em grande parte do país como a PT. Talvez um dia uma infraestrutura de fibra seja bem mais importante e a de cobre se torne irrelevante, mas não me parece que tenha chegado esse momento.
O que acho que deveria ter sido feito? Se era preciso mesmo vender a rede de cobre, vender a uma empresa que não tivesse qualquer ligação com as empresas do sector e permitir na mesma que as empresas do sector pudessem ter redes próprias.
Isto porque, a empresa que tivesse a rede de cobre, teria que melhorar a rede e praticar preços competitivos no aluguer da rede para evitar que fosse mais vantajoso para as outras empresas criarem infraestruturas próprias.
Ao mesmo tempo, haveria uma concorrência mais “normal” entre as empresas de telecomunicações, pois para ganharem e manterem os clientes teriam que inovar nos serviços prestados e ter preços interessantes.
Penso que todos ficariam a ganhar, inclusive os consumidores.
Sim, é verdade que se poderia criar um cartel entre as empresas e tornar a oferta e os preços em algo artificial, mas também há solução para tal casos. Uma instituição reguladora, mas não como algumas que existem em Portugal que parecem tomar medidas mais por questões politicas do que fazer o objectivo de tal entidade, que é zelar pelo bom funcionamento do mercado.
Outro caso, a EDP.
Se bem me lembro, este mercado iria ser liberalizado, primeiro para o mercado empresarial e depois para o mercado doméstico.
Neste ponto posso estar a ser ignorante, admito, mas não me consigo recordar se chegou a ser liberalizado ou não e se foi, que outras empresas estão a concorrer com a EDP? Não me recordo de qualquer empresa que tenha anunciado que iria entrar neste mercado.
Mas, como disse, posso estar a ser ignorante.
No entanto tenho mais uma pergunta. A quem pertence a infraestrutura eléctrica em Portugal? Tenho ideia que é da EDP. Mais uma vez, se tal for verdade, como é que outras empresas vão concorrer com a EDP? Terão que construir a sua própria infraestrutura ou alugam à EDP?
Não seria uma boa ideia a empresa que detém a infraestrutura ser uma entidade à parte?
Isto são mais perguntas que respostas e atenção, não tenho razões de queixa da EDP. Nunca tive nenhum pico de corrente que avariasse aparelhos eléctricos e não me recordo a última vez que faltou a energia. Tornou-se cada vez mais raro e mesmo quando faltava, demorava relativamente pouco tempo.
Provavelmente nem todos os portugueses têm tão boa experiência e para essas pessoas, “se calhar” seria bom ter opção de escolha.
Agora, nem tudo são rosas. Por exemplo nos Estados Unidos este mercado foi completamente liberalizado e, na verdade, desregulado.
Em certas alturas, em alguns Estados, existiram “apagões” que afectaram durante algum tempo grandes áreas.
Quando de um dia para o outro (para quem estava de fora) a Enron vai à falência, saíram cá para fora provas interessantes em relação a este mercado, em que havia cartel entre as diversas empresas e eram as próprias empresas a causarem os “apagões”, como forma de chantagem para terem maiores lucros.
Foi até um pouco pior que isto, pois as próprias pessoas que tomaram estas decisões, gozavam “à grande” com os “apagões”.
Isto é a consequência, de demasiado poder e desregulação do mercado.
Mais um caso, CP e Refer.
Ora aqui está um caso interessante. Isto porque antigamente tínhamos apenas a CP como “dona” dos caminhos de ferro em Portugal.
Não me recordo quando, nem quais as razões para tal, mas foi criada uma empresa, com o nome de Refer que é “dona” da infraestrutura. Isto é, gerir e manter as próprias linhas de ferro, enquanto a CP trata “apenas” do negócio com os consumidores.
Espero não estar a dizer nada de errado.
O que torna isto interessante, é que seja qual forem os motivos, acho que foi algo bem feito. Isto é, uma empresa que trata da infraestrutura e outra do serviço.
A única questão é que, pelo que sei, só a CP usa a infraestrutura da Refer e por a pergunta é, onde está a concorrência?
Isto é, não entrando na parte politica, parece-me que outras empresas poderiam entrar neste sector.
Faz sentido ter-se dividido em duas empresas, neste mercado, quando não existe concorrência?
Por último, o mercado dos combustíveis.
Este é mesmo um caso muito interessante, porque foi liberalizado e quando aconteceu isto, só poderia acontecer uma coisa. Concorrência, melhores serviços e preços mais baixos.
Aqui há dois pormenores:
Primeiro, a nível internacional há mercados que são controlados artificialmente e por muito que se seja contra, a comunidade internacional aceita.
Um exemplo é o mercado de diamantes, que na prática é controlada por uma empresa a nível mundial. A empresa é a De Beers e é fascinante como com o controlo do mercado, ao baixarem a oferta e uma campanha de publicidade de muitos anos tornou os diamantes das coisas mais apetecíveis e procuráveis.
Logo, controlo da oferta, muito maior procura sendo muito apetecível, faz com que os preços subissem de uma forma estrondosa. Genial.
O que muitos não sabem é que é “relativamente” fácil de criar diamantes sintéticos, em pouco tempo e até podem ser mais “puros” e “duros” que os naturais.
Como é que a De Beers “coloca” estes diamantes de lado? Relativamente simples. os diamantes sintéticos não têm a mesma “riqueza histórica a nível geológico”. No mínimo um argumento discutível. Pelo que sei, os diamantes sintéticos normalmente são usados para fins industriais.
Este mercado dos diamantes dava para um artigo inteiro, mas voltando aos combustíveis. O mercado do petróleo, de onde deriva os combustíveis e outros produtos é controlado por um cartel constituído pela maior parte dos produtores de petróleo. Este cartel tem como nome OPEC.
De X em X tempo há reuniões e dependendo do preço do barril de petróleo, sobem ou descem a produção. Completamente artificial este mercado a nível internacional.
Segundo ponto, em Portugal existem duas refinarias. Uma em Sines e outra no Porto.
Não conheço a história do Porto, mas a de Sines tinha como objectivo inicial a exportação. Na verdade o que aconteceu é que fornece o mercado interno e só uma percentagem de 20% é que é exportada.
A questão é que as duas refinarias pertencem à mesma empresa. Galp, que ao mesmo tempo é uma empresa activa no mercado de venda de combustíveis.
Ora, se os outros concorrentes comprarem o produto refinado à Galp, como pode haver uma concorrência saudável?
Outro facto, é incrível como durante anos, exactamente no mesmo dia, as várias empresas sobem e descem os preços. Ás vezes com os mesmo valores, outras vezes com diferença de 1 cêntimo.
Também é interessante quando vamos numa auto-estrada, temos sinalização com os preços do combustível, das diversas bombas durante o percurso e, sinceramente, não me lembro de uma vez em que os preços fossem diferentes.
Não tenho provas, mas a ideia que dá é que há um cartel ilegal entre as empresas que actuam em Portugal e que quando no mesmo dia anunciam subidas ou descidas de preços que não são iguais, parece mais para disfarçar este controlo.
O que me custa a crer é que a entidade reguladora deste mercado, nunca tenha encontrado nada de ilegal sobre o controlo dos preços.
Mas há alguns anos vi uma coisa bastante estranha.
Fui ao Porto e houve necessidade de colocar gasolina no carro. Ao que me dizem para ir a um hipermercado bastante perto, porque a gasolina era muito mais barata. lembro-me perfeitamente do meu espanto. Primeiro porque é que um hipermercado tinha uma bomba de gasolina e depois como é que o preço era bastante mais baixo.
Claro que ao chegar lá, não faltavam clientes a querer colocar gasolina e eu também aproveitei e enchi o depósito.
Penso que esta “coisa” dos hipermercados terem gasolina mais barata, começou no Norte e durante bastantes anos, por desconhecimento ou por não haver mesmo, não vi igual em Lisboa.
Hoje em dia tenho casa no Porto e a situação chegou quase ao absurdo, pois há uma bomba perto de um centro comercial, que todos sabem que tem combustíveis mais baratos e a fila de carros na bomba é constante e tão grande, que a maior parte do tempo, a fila ocupa parte da estrada.
Desde já, é algo perigoso, porque quem não conheça, a fila fica depois de uma curva e de repente depara-se com um conjunto de carros parados na estrada.
Mas a verdadeira questão que gostava de saber é como conseguem praticar preços mais baixos e as empresas estabelecidas no mercado não.
Aqui só vejo três hipóteses:
- Ou os hipermercados descobriram petróleo no Beato (é uma piada com uma dica, Raul Solnado)
- Ou compram os combustíveis nas refinarias portuguesas e aí não se percebe porque é que as outras empresas não conseguem praticar os mesmos preços
- Ou compram noutro país, provavelmente Espanha por ficar mais perto e aí, sem ser a Galp, não se percebe porque as outras empresas não fazem o mesmo.
Conclusão neste caso, fico com mais dúvidas que certezas.
Agora falando dos concursos públicos em Portugal.
Dizer desde já que tive conhecimento de alguns e não me recordo de um que não se dissesse que estava manipulado de uma forma ou de outra.
O facto é que não tenho qualquer prova, por isso não posso acusar ninguém e por esta razão não vou falar de casos concretos. Na verdade todos os casos que assisti, podem ter sido todas coincidência ou sorte.
Claro que, no meu pensamento não acredito em tal coisa e assisti a algumas coisas “estranhas”.
O mais normal era alguém me dizer quem iria vencer, antes de haver propostas ou antes de supostamente terem sido avaliadas as propostas. O mais engraçado é que quem me dizia quem iria vencer, acertou sempre.
Outras vezes é que havia concursos em que se falava quase abertamente que teria havido passagem de dinheiro “por baixo da mesa”.
Algumas vezes, até um cego via que o vencedor de um certo concurso não fazia sequer sentido. Isto é, ou nem cumpriam os requisitos ou as quantidades estavam completamente inflacionadas.
Por último e apesar de pensar que não seja ilegal, é uma empresa ganhar um concurso e não se envolver de forma alguma (isto é, não aparecer, não haver um responsável, etc) com o concurso ganho. Simplesmente subcontratavam uma ou mais empresas.
Por último, assisti a empresas que concorreram ao concurso a colocarem em tribunal a empresa que estava na origem do concurso, com várias alegações. Por exemplo da proposta nem ter sido considerada.
Ora, como disse não tenho provas factuais e pode ser tudo uma enorme coincidência, mas tenho a certeza que parte dos concursos públicos estão decididos à partida.
E isto é muito triste. A ideia de concursos públicos, em teoria, é muito boa.
Alguém coloca no mercado um pedido de serviços com certos requisitos. As empresas entregam as propostas em carta fechada e sem saberem das propostas dos outros concorrentes. Por fim, um painel independente e com conhecimentos na área decide qual é a melhor proposta tendo em conta a qualidade e preço das propostas.
Na realidade, duvido muito que as coisas se passem assim em muitos casos. A dúvida que tenho é saber que percentagem de casos “corruptos” existe em relação a concursos públicos sem corrupção.
Isto leva-me a outro ponto, que é, vamos imaginar que uma pessoa com carácter e valores monta uma empresa e concorre a concursos públicos. Percebe que não ganha, porque está a jogar “limpo”. O que fazer?
- Manter os seus valores e carácter, mas arriscar a que a empresa não tenha futuro.
- Ou fazer o mesmo jogo sujo praticado no mercado, para tentar que a empresa cresça e evolua.
A conclusão que tiro é que estes casos são casos em que a culpa não me parece ser do governo e sim da cultura que reina em Portugal.
Mais bem feita ou mais mal feita, a lei sobre concursos públicos está feita. O governo talvez devesse dar mais meios para investigar os casos mais flagrantes, mas é das tais coisas, não se pode colocar um policia em cada esquina.
Por isso, não se culpe sempre os governos e vamos olharmos ao espelho. A culpa de muitas coisas erradas em Portugal é dos próprios Portugueses, não só indirectamente nas votações, como directamente participando nos problemas.
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